Investigado por aplicar golpe do namoro em Farroupilha é denunciado pelo MP por estelionato: ‘que seja feita justiça’, diz mulher

Defesa de Guilherme Selister diz que só vai se manifestar no processo. Acusado também foi indiciado por estelionato em Caxias do Sul.

O homem alvo de investigações por ter, supostamente, aplicado o golpe do namoro contra mulheres na Serra do Rio Grande do Sul foi denunciado por estelionato pelo Ministério Público (MP). A acusação contra Guilherme Selister foi encaminhada à Justiça em Farroupilha, na terça-feira (7).

O advogado Marcos Peroto afirma que a defesa só vai se manifestar nos autos do processo. O acusado responde em liberdade.

A denúncia refere-se ao caso noticiado pelo g1 em março deste ano. Conforme a vítima, que prefere não ser identificada, o homem dizia ser militar das Forças Armadas. Alegando sofrer problemas de saúde, o acusado teria recebido cerca de R$ 80 mil da mulher, com quem mantinha um relacionamento entre 2019 e 2020, para custear o suposto tratamento.

A jovem comemorou a conclusão do MP, que analisava o caso desde o final de janeiro, quando o inquérito policial havia sido finalizado.

“Com a denúncia do MP, gera muita expectativa. Espero muito que seja feita justiça. Espero que, de alguma forma, isso possa pará-lo. Que ele pague por tudo que cometeu”, diz a mulher vítima do golpe.

O MP não informou detalhes da denúncia nem disse qual a promotoria responsável pela acusação.

Em maio, Guilherme Selister foi indiciado por estelionato pela Polícia Civil de Caxias do Sul, também na Serra, por um suposto golpe semelhante ao relatado em Farroupilha. O MP não informou sobre o andamento desse caso.

Detalhes

De acordo com a jovem que diz ter sido vítima de golpe, o relacionamento com Selister começou em novembro de 2019 após contato pela internet. O investigado dizia ser tenente da reserva da Marinha e nutricionista de dois hospitais, um em Caxias do Sul, também na Serra, e outro em Porto Alegre. O relato da moça consta no inquérito policial.

O Sistema de Veteranos e Pensionista da Marinha não encontrou o nome do investigado em seus registros. O hospital de Caxias do Sul informou que não localizou o investigado no sistema de recursos humanos. Já o hospital de Porto Alegre disse não fornecer esse tipo de informações. Além disso, o nome do indiciado não consta no registro de profissionais ativos no Conselho Federal de Nutrição.

Guilherme Selister é acusado por aplicar golpes no Instagram e em aplicativos de relacionamento — Foto: Reprodução/Redes sociais

A relação pessoal dos dois se deu ao longo do primeiro semestre de 2020. Contudo, em razão da pandemia e da falsa rotina como profissional de saúde do investigado, os contatos presenciais eram esporádicos. Já as conversas por aplicativo de mensagens eram diárias.

Dizendo sofrer de problemas neurológicos, o homem teria indicado o contato da mulher como sua responsável por uma eventual necessidade. Um suposto médico teria procurado a jovem falando da gravidade do quadro de saúde, que poderia levar o suspeito à morte.”Me sensibilizei, naquela mesma hora, e me prontifiquei a ajudar ele, pensando no relacionamento”, contou a mulher, ao g1, em março.

Então, o rapaz teria pedido dinheiro para custear os procedimentos, dizendo ter processado a Marinha. Ele atribuía à corporação a responsabilidade pela doença. Com a verba de uma eventual indenização, ele quitaria os empréstimos, segundo a mulher.

Foram feitos, ainda, outros repasses, como para a compra de um televisor para o suposto consultório, o conserto e o aluguel de veículos, a quitação de uma dívida de imóvel, entre outros, conforme relato da mulher.

A descoberta do suposto golpe ocorreu quando foram solicitadas provas do processo contra a Marinha. Na ocasião, o investigado enviou um suposto despacho judicial, no qual foram encontrados indícios de fraude, como palavras grafadas incorretamente e ausência de dados processuais.

“Naquele momento me caiu a ficha. Ali eu percebi que ele não era nada do que eu estava pensando”, lamentou a mulher.

Outra inconsistência apontada no inquérito é que o telefone do médico que entrou em contato com a mulher estava registrado em nome do indiciado junto à companhia telefônica. Além disso, o indivíduo teria mentido a idade – tinha 25 anos, enquanto dizia ter 29 – e utilizaria dois CPFs, alegando motivos de segurança pela carreira militar.

A mulher afirma que o homem encerrou o relacionamento com ela em agosto de 2020, já depois dela ter descoberto a história.

Guilherme Selister é acusado de aplicar o golpe do namoro na Serra do RS — Foto: Reprodução/Redes sociais

Outros casos

Guilherme Selister também foi indiciado em Caxias do Sul. Na cidade, ele teria se relacionado com uma mulher por 60 dias. No período, ela relatou ter perdido R$ 60 mil para o investigado. O homem, segundo a investigação policial, dizia ser profissional de saúde para pedir dinheiro para mulheres com quem mantinha relacionamentos.

O relacionamento teria iniciado em uma academia de ginástica. A vítima do golpe informou também que teria se afastado da própria família por pressão do investigado, sendo induzida ao erro pelas histórias que ele contava.

“A gente comprovou que ele nunca foi médico, nunca trabalhou no hospital onde dizia ter trabalhado nem no Samu. Juntamos todos os comprovantes que a vítima fez de depósitos para ele. Ele mentia dizendo que precisava de ajuda financeira para pagar tratamento neurológico”, detalhou a delegada Thais Norah Sartori Postiglione Peteffi.

Uma outra mulher, que não denunciou o caso à polícia, diz que foi lesada em cerca de R$ 30 mil, além de ter bancado financeiramente Guilherme Selister durante o relacionamento que durou oito meses em 2017.

“Me afetou bastante psicologicamente e também financeiramente. É difícil confiar nas pessoas”, disse ao g1.

Outras pessoas que se dizem vítimas do investigado são donos de uma academia que ele frequentava gratuitamente. Selister teria se inscrito para treinar no local, alegando estar passando por uma seleção como atleta da Marinha. Os proprietários acabaram criando uma relação próxima com ele.

“Comemoramos o aniversário dele, viajamos juntos, ele brigava com uma tal namorada e eu conversava com ela”, contou a proprietária da academia.

A confiança era tamanha que o investigado teria sugerido ser sócio da academia para obter um registro diferenciado para o local no Conselho Regional de Educação Física (CREF). A desconfiança começou quando, segundo os proprietários, tudo deu errado. A suposta formatura na Marinha havia sido cancelada e as competições eram sempre adiadas.

“Quando descobrimos, eu falei com ele por mensagem: ‘tu tens noção do estrago emocional e financeiro que tu fez na nossa vida?’.”

FONTE:

Por Gustavo Chagas, g1 RS

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